Ensino híbrido: para além da transmissão online de aula presencial

Com o “Ensino Híbrido”, uma das principais alterações para a atividade docente é que as/os professoras/es deixam de ser meras/os transmissores da herança cultural acumulada para se tornarem mediadoras/es do conhecimento (Imagem: Shafin Al Asad Protic / Pixabay)

Como saída para a suspensão das aulas presenciais decorrente da pandemia do novo coronavírus, o ensino híbrido, principalmente a partir do segundo semestre do ano passado, passou a ganhar espaço por ser uma metodologia que aproveita o potencial pedagógico das tecnologias digitais na construção de ambientes educacionais mais inovadores, significativos e que estimulam o protagonismo estudantil.

Com a retomada presencial das aulas para o cumprimento do calendário 2021, essa metodologia ativa promete ocupar um espaço importante no trabalho escolar.

Apesar de já fazer parte do discurso oficial da maioria das escolas, ainda há muita confusão e não são poucas/os as/os profissionais e instituições que não conhecem muito bem o conceito e estão perdidos na hora de o pôr em prática. Erroneamente, a transmissão de aula presencial “vem sendo definida como ensino híbrido, provocando preocupação, revolta e, até mesmo, expondo a dificuldade de professores e instituições em tirarem o melhor proveito dessa ação, pois não se identifica o papel do espaço online e o papel do espaço presencial como meios diferentes de construção de conhecimento”, afirma Lilian Bacich, Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP) e Mestre em Educação (PUC) e Pedagoga (USP).

Visando colaborar com as reflexões sobre o ensino híbrido, no sentido de oferecer elementos conceituais e práticos para que as professoras/es e instituições possam aplicar essa metodologia ativa de forma mais intencional e significativa, aproveitando melhor seu potencial educativo, o Portal de Educação Tecnológica e Artística (PETECA) está publicando, neste início de ano letivo, algumas postagens especiais sobre Ensino Híbrido.

Essa é mais uma iniciativa do PETECA, plataforma de reflexão sobre educação, formação continuada e desenho de projetos pedagógicos e currículos escolares, visando colaborar com as reflexões e práticas pedagógicas das/os nossas/os leitoras/es e parceiras/os, notadamente as/os amigas/os educadoras/es da Escola Peralta/Espaço Cultural Ariano Suassuna-Centro Educacional, importante espaço de formação integral do Recife que abriu suas portas para mim e meus filhos e com o qual estou co-laborando desde o ano passado.

O que é o ensino híbrido?

Segundo o Clayton Christensen Institute, “laboratório de ideias” (think tank) fundado a partir das teorias do professor de Harvad Clayton M. Christensen, especializado em inovação disruptiva, ensino híbrido é “um programa de Educação formal no qual um aluno aprende, pelo menos em parte, por meio do ensino online, com algum elemento de controle do estudante sobre o tempo, lugar, modo e/ou ritmo do estudo, e pelo menos em parte em uma localidade física supervisionada, fora de sua residência”.

O ensino híbrido mescla estratégias de ensino off-line com estratégias digitais, possibilitando a personalização do ensino a partir das necessidades reais de aprendizagem da/o estudante, alterando, radicalmente, o seu tradicional papel: de assimilação passiva de conteúdos transmitidos em aulas expositivas para protagonista das suas aprendizagens.

Um dos objetivos do ensino híbrido é a “personalização do ensino”, uma vez que a/o docente deixa de apenas transmitir conteúdos e passa a dedicar um tempo maior ao acompanhamento mais próximo e individualizado, visualizando e identificando, através das tecnologias digitais, as dúvidas e outros dados sobre as aprendizagens das/os estudantes. Uma das principais alterações para a atividade docente, portanto, é que as/os professoras/es deixam de ser meras/os transmissores da herança cultural acumulada para se tornarem mediadoras/es do conhecimento. A docência fica mais próxima de uma “curadoria” de informações e sua transformação em conhecimento significativo e pertinente.

Finalizo essas breves reflexões sobre “ensino híbrido” reforçando o alerta feito por Lilian Bacich, também diretora da Tríade Educacional e co-autora do livro Ensino Híbrido: Personalização e tecnologia na Educação, referência em metodologias ativas no Brasil, de que é preciso ter cuidado para não confundir ensino híbrido com outras modalidades educacionais. “Temos escutado em alguns lugares a definição do ensino híbrido como sendo a transmissão online de aulas ao vivo, mas isso é a definição de aula síncrona transmitida ao vivo. (…) No híbrido, temos o que é para ser aprendido no presencial e o que é para ser aprendido no virtual e você conecta essas duas aprendizagens”, alerta a especialista.

Na próxima postagem da série sobre Ensino Híbrido, falaremos sobre algumas possibilidades de implementação desta metodologia ativa. Até lá!

Zebé Neto

Professor, pesquisador, escritor e desenhista de ambientes inovadores de ensino e aprendizagem

Referências bibliográficas:

BACICH, Lilian. Ensino Híbrido ≠ Transmissão de aula: como aprimorar a experiência se transmitir aulas é sua opção?. Inovação na educação. São Paulo, 6 de fevereiro de 2021. Disponível em: https://lilianbacich.com/2021/02/06/ensino-hibrido-rotacao-por-estacoes/. Acesso em 24/02/2021.

CECÍLIO, Camila. Ensino híbrido: quais são os modelos possíveis? São Paulo, 9 de setembro de 2021. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/19715/ensino-hibrido-quais-sao-os-modelos-possiveis#_=_. Acesso em 24/02/2021.

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